sábado, 1 de agosto de 2009

diário de internação. [capítulo1]

fui internada na clínica psiquiátrica e de reabilitação C na noite do dia 15 de junho de 2009 por causa da minha suposta tentativa de suicídio feita na noite anterior por volta das 22:30, que constituiu na ingestão de uma caixa quase inteira de lexotan com uma caneca de amarula, complementados por uma cartela de benflogin.

quem me encontrou foi a ln, lá pelas duas da tarde. em seguida contei a ela e à ac onde eu havia escondido as cartelas vazias. me lembro da ln se ajoelhar ao lado da minha mesa de cabeceira, colocar a mão direita sobre o meu peito e rezar. depois trocou a minha roupa.

então, cada uma foi tomar seu banho e depois me conduziram até a garagem. entrei pela porta de trás do carro do meu pai (ele tava viajando a trabalho) e deitei a cabeça no colo da ln.

me levaram as duas ao hospital H para uma lavagem gastrointestinal através da via nasal esquerda. duas enfermeiras me assistiram; uma era pentelha, a outra simpática. tiveram que me segurar, pois eu me debatia violentamente.

me acalmei, e me deixaram lá com uma cumadre para que eu pudesse vomitar caso me desse ânsia. não sei quanto tempo fiquei lá deitada, mas me lembro de ter passado um bom tempo olhando pra um cara entre umas cortinas, tentando estabelecer alguma comunicação.

depois de algum tempo e algumas tentativas de fuga, chegou uma moça com aquele negócio no pescoço e ficou no leito ao lado. perguntei o que havia acontecido com ela, mas não me lembro da resposta. comentei que devia ser estranho conversar com alguém que tivesse uma sonda enfiada no nariz, e perguntei se ela também via as luzes piscando e se mexendo.
ela disse que não.

em algum momento, ac veio pedir meu consentimento quanto a me internar numa clínica.
eu disse que sim.

em algum outro momento, anterior, uma médica havia a alertado disso. (na minha frente.)

saí do hospital numa cadeira de rodas e lá fora estavam c, z e y.
c veio me abraçar chorando e me disse "não faz isso comigo". (aí eu já estava deitada numa maca, mas não sei como fui parar lá.) z e y vieram me abraçar e me dizer coisas também, mas não lembro o que foram.

entrei numa ambulância pela primeira vez; achei divertido.
lá estavam dois paramédicos: o vlad, e do outro não me recordo o nome. viemos conversando por todo o trajeto. muito simpáticos e agradáveis. deixei cair o tic-tac que carregava no pulso, preso no elástico de cabelo. pedi ao sem nome que pegasse pra mim; disse que era muito importante.

ao sair da ambulância, me lembro de ter abraçado um dos dois, ou os dois, não sei. entrei na clínica também numa cadeira de rodas. estavam presentes: c, z, y, ld e ac.

tive uma conversa com uma senhora que falava com tati-bitati, ou sei lá como se escreve isso. sei que me irrita, mas na hora nem me incomodei. (claro, depois de mais de doze horas com lexotan no sangue.)

eu assinei minha própria internação.

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